Vida Real: dicas e voluntariado em Fiji por Priscilla Pimentel

30 abril, 2018
Autor: Redação

No Vida Real de hoje, convidamos a querida Priscilla Pimentel, gerente de desenvolvimento de negócios da DHL Express, que diz ter a idade “free & young” (42) para contar tudo sobre sua viagem de 1 mês para Fiji, mais especificamente Yanuya Island.

A entrevista está uma delícia e esperamos que você aproveite, extraia dicas e conecte-se com as histórias e aprendizados que a Pri nos trás.

TÁ POR ONDE O que te inspira e te move na busca de novos destinos e viagens?

PRISCILLA PIMENTEL – Me fascina conhecer novas culturas, realidades sócio-econômicas e meio ambiente. Busco sempre conectar minhas viagens com belezas naturais, cultura, gastronomia, espiritualidade e pessoas. Acredito que é somente à partir daí que conseguimos enxergar nossa realidade de uma maneira diferente.

TPO – Qual foi o melhor conselho que já recebeu sobre “viagens”?

PM – Sem a menor sombra de duvida foi “Você só enxerga a ilha quando sai dela”, frase do escritor português e ganhador de prêmio Nobel José Saramago, e essa é minha verdade para a vida. Precisamos sair da nossa zona de conforto para o autoconhecimento.

TPO – Depois de já ter conhecido e desbravado alguns destinos, o que ainda te assusta?

PM – O que me assusta é não ter saúde e só. De resto, nada mais me assusta. Em Fiji, achei que após o trabalho voluntário, no final de cada expediente, iria comer um peixinho e tomar uma cerveja na beira do mar. Entretanto, a realidade era comer bolinho de farinha com água e seagrapes, uma das poucas plantinhas que podemos comer como “salada” na árida Fiji, que havia sido recém devastada pelo ciclone Winston, em fev de 2016. Se quisesse tomar banho após o trabalho era só pegar o carrinho de mão com alguns baldes, ir até o único poço da ilha, encher os baldes, voltar para casa e tomar banho. Isso tudo antes de escurecer, pois energia elétrica também não fazia parte da realidade lá. Quando voltávamos à noite do culto (a ilha é basicamente cristã. Eles adoram ler a bíblia e tomar chai, que há quem diga que nos deixa high), usávamos lanterna e tinha que ser rápido pois tinha um porco gigante do tamanho de um boi que ficava solto na ilha e iria ser consumido no velório do representante da ilha. Sim, tinha celebração com comida e muito chai no velório.

Sea grapes

TPO – Playlist da Trip

PMNu- La sirena negra, do francês Alexis Brinn, a pessoa que me ensinou a apertar o botão “I really don’t care” e parar de tentar perfeição em tudo. Foi à partir daí que comecei a não levar as coisas da vida tão a sério. Ser leve é essencial para a vida fluir.

Às vezes, temos que saber improvisar e não desanimar, rir das roubadas e, acima de tudo, sempre agradecer, pois TUDO é um aprendizado. Estamos em constante transformação.

TPO – O que não pode faltar nessa mala?

PM – Escova de dente, pasta, fio dental, protetor solar e kit de primeiros socorros. Imprevistos acontecem e, de repente, você pode se ver obrigada a abandonar sua mala de rodinhas, secador de cabelos e ter 5 minutos, sob inspeção, para colocar alguns itens numa sacola de supermercado… e esquecer até suas peças intimas! Mas, minha recomendação é: mochila sem rodinhas, sapatos sem saltos, roupas confortáveis, protetor solar e, se couber, mosquitonet / mosquiteur / mosquiteiro! rsrsr Essa palavra eh semi-universal, não?

TPO – Como você chegou em Fiji?

PM – Avião de Sydnei para Koalalampur, na Malásia. Sim, as privadas do aero são aquelas enterradas no chão tanto na Malásia quanto em Fiji.

Em Fiji Nadi, peguei um ferry de 2 horas e um pequeno barco a motor de madeira e sem banco foi me pegar em alto mar. Meu pack de água potável era maior que a minha mochila.

Após jump in no pequeno barco, segui uma hora em alto mar até minha ilha-escola com 500 habitantes, seriamente afetada pelo ciclone. Como em alto-mar o cóccix bate muito no bar, desejei uma almofada… No caminho, paramos numa ilha e pegamos umas 10 crianças de ilhas vizinhas que iam sozinhas, sem os pais, passar a semana inteira na minha ilha para poderem estudar. Elas dormiam num alojamento lá na escola.

TPO – Mala de rodinha ou mochilão?

PM – Mochila, mochila, mochila! Rodinha não roda na grama, na lama, na areia… rsrsr. Mochila vira um travesseiro, cabe perfeitamente num lombo de um cavalo caso você tenha que enfrentar alguma parte de 2 horas de estrada, à cavalo, escalando uma montanha, por exemplo. rsrsr

TPO – O que não dá pra perder!

PM – Tudo tem seu preço e é inesquecível, à começar por:

  • Subir na montanha mais alta da ilha, com uma vista 360 graus da ilha toda, entender que a ilha que parece pequena pode ser enorme, e depois ainda constatar que a decida é muito pior que a subida porque é íngreme demais.
  • Nadar em alto mar, no meio do oceano (e não em aquários ou piscinas naturais), com as manta rays (arraias gigantes), que eram avistadas a olho nú pelos nativos de Fiji. Nadar ao lado, embaixo e em cima, acompanhando um cardume de peixes em que cada um tem o tamanho da sua cama é arrepiante e inesquecível.
  • Não se prive de NENHUM resort de Fiji pelo fato de estar mochilando sozinha e achar que só tem tem casal em lua de mel (quando não tem campeonato de surf). Os casais do resort me recepcionaram muito bem e nos divertimos muito. Saia de sua zona de conforto, vá para o único bar da ilha/resort, sente, converse com o bartender (todo MUNDO ama TURISTA brasileiro) e, quando menos esperar algum casal já terá te puxado para dançar, conversar ou te oferecido um shot.

TPO – Onde e o que comer?

PM – Não encontrei um roteiro gastronômico em Fiji e pelo fato do ciclone ter passado pouco antes de minha chegada, não havia salada, nem muitas frutas. Mas, tive a honra de experimentar um prato especial que minha nau (avó em fijean) fazia para mim. Esse prato era só para visitantes – nem as crianças ganhavam – e ela fez 2 vezes durante minha estada: era um pouco de peixe com coco e seagrapes, embrulhado numa rara folha verde (que eu comia também) e assado na pedra. Peixe com coco é uma receita universal incrível, ainda mais frescos… Os resorts nos quais me hospedava nos finais de semana, quando não tinha trabalho voluntário, tinha um buffetzão com bastante macarrão e poucas opções de carnes e peixes. rsrsr

 

TPO –  Onde se hospedou?

PM – Na primeira noite na capital, fiquei em pousada bem simples. Como as daqui do Brasil, são bem limpas, simples, com um bom café da manhã, povo hospitaleiro e sorridente. A população de Fiji é predominante negra e a ilha foi colonizada por britânicos. As mulheres não alisam o cabelo e nem colocam canecalon. Elas têm o cabelo curto, o enfeitam com flores, e são muito sorridentes. Usam sarongue floridos e dependendo da religiosidade, os homens também usam saias.

No trabalho voluntário, me hospedei numa casa de família de uma professora da ilha-escola. Era uma mãe, seus dois filhos e sua mãe, nossa nau (nossa vó). Eu ganhei um quarto só para mim e as quatro pessoas da família ficavam no outro quarto. Nas refeições, eu era sempre a primeira a receber comida – pela tradição, era educado eu aceitar -, em seguida as crianças, depois a mãe e, por ultimo, caso sobrasse, a matriarca, nossa nau, comia. Detalhe importante: como tinha muita, mas muita mosca (entravam na boca e no nariz), minha nau ficava me abanando para eu comer e só comia quando eu terminava. Não havia meio dela comer comigo.

Nos finais de semana, eu escapava da minha ilha para conhecer outras ilhas mais turísticas e completar meu objetivo o balanço entre a vida local e os principais pontos de Fiji. Também eram 1 hora no barco de madeira em alto mar (como sacudia!) e mais duas horas de ferry, pelo menos. A melhor parte de chegar nos resorts era o prazer de “apertar a descarga “ e não ter o ritual de poço á. balde de água. rsrsr Os resorts eram muito bons e dei sorte pois em todos tive upgrade para suítes chiques em frente ao mar, com banheiros em pedra, sem teto rústico, cama king e ar condicionado. Chuveiro e descarga eram “o must“.

TPO – Em qual época do ano você escolheu ir para esse destino?

PM – Não houve indicação, houve cara, coragem e muita pesquisa sobre local, cultura, hábitos, custo, programas de trabalho voluntário e etc. Fui entre maio e junho de 2016, ao final de um ano sabático mochilando entre Austrália e Ásia. Peguei dicas de turismo e comprei alguns passeios em agências. O trabalho voluntário foi puramente empatia e receptividade da ONG Involvement Volunteers International, onde tive a honra de me inspirar na  Lauren Lacey, minha mentora e conhecer outros dois incríveis voluntários, Connor Manson e Sue Madigan.

TPO – Fatos engraçados

PM – Como disse acima, achei que no final do expediente como voluntária iria para um bar a beira mar tomar uma cerveja e relaxar. Entretanto, não existia bar, nem cerveja e tinha q correr para pegar minha água de banho antes de escurecer. rsrsr Os cultos cristãos guiados por lanterna eram o programa da noite.

Num certo culto, me salvei de uma aranha tamanho médio com a bíblia do pastor. rsrsr O culto não foi interrompido. rsrsrs

TPO – Cereja do Bolo

PM – As pessoas sempre! São com elas que aprendemos a riqueza que fica em nossa memória: a braveza e sonho das crianças, a alegria do povo que, assim como os brasileiros, têm o poder de sorrir e se reinventar à partir das trevas. Amei cada um, cada momento.

Esperamos que a experiência da Pri tenha te inspirado tanto quanto a nós. Aproveite e leia também sobre outros países da Oceania.

Ah! Fez uma viagem legal e quer compartilhar as experiências aqui? Deixe um comentário ou escreva para contato@taporonde.com.

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