Marcos DeLacumbre Holtz e suas aventuras pela Coreia do Norte e China

3 junho, 2019
Autor: Redação

Escritor, jornalista e um amante nato das experiências que esse mundo pode nos proporcionar, Marcos DeLAcumbre Holtz, dono do Instagram Mochila Crônica, teve a oportunidade, no auge dos seus 31 anos, fazer uma super viagem de um mês pela Coreia do Norte e China.

Já dá pra imaginar o tamanho da aventura que ele viveu, não é?! Com um toque de poesia, Marcos nos deu a chance de acompanhar essa experiência tão única e inesquecível. Vem com a gente, você não vai se arrepender!!!

TPO – O que te inspira e te move na busca de novos destinos e viagens? 

MARCOS: Desde o meu primeiro contato com a estrada minha vida mudou, o sentido de todas as coisas mudaram. Eu não contabilizo mais o valor financeiro em cifras pra comprar bens duráveis, tudo é calculado em viagem. A humanidade ainda se questiona sobre o sentido da vida, e eu respondo: o sentido é viajar, não importa pra onde. Viajar mexe com os melhores sensores, é uma culinária exótica, é a sensação de pisar onde a história se desenhou, é buscar sua paz individual no meio do caos da Índia ou na completa solidão das montanhas do Myanmar. O dia que eu não puder mais viajar ou, por demência, abdicar disso, por favor, me enterre. Eu não viajo pra me inspirar, descansar ou qualquer coisa que as pessoas inventam, viajo pra viver. É o único legado que posso deixar.

 

TPO – Qual foi o melhor conselho que já recebeu sobre “viagens”? 

MARCOS: Estava prestes a pular de uma ponte no interior do Equador, eu detesto altura, eu não gosto nem de voar de avião. Mas eu sempre encaro. Naquele dia tinha uma corda elástica presa à minha cintura. Eu estava com o olhar frio. Olhei para o meu instrutor e disse: “tenho medo”. E ele então respondeu: “se não tivesse medo, então você seria um louco”. E então eu pulei pensando que se morresse ali, morreria do meu jeito. Foi muito bom.

 

TPO – Depois de já ter conhecido e desbravado alguns destinos, o que ainda te assusta?

MARCOS: Tenho medo que meu avião caia no voo de ida. É isso. Desculpa. É como morrer numa manhã fodida de segunda-feira a caminho do trabalho. Não tem nada mais triste que isso. A vida não merece essa crueldade.

 

TÁ POR ONDE

 

TPO – Playlist da Trip 

MARCOS:  Eu não tenho playlist porque tenho uma relação bem de tiozão com aplicativos. Eu ainda acho umas coisas bem básicas “modernas demais”. Mas nessa última viagem eu levei o meu dj preferido, Avicii, e recebi a notícia de sua morte quando eu estava dentro de um trem. Levei também o reggae do Maneva e o Eddie Vedder pra me fazerem companhia no acampamento ilegal que montei numa parte proibida da Muralha da China.

 

TPO – O que não pode faltar nessa mala? 

MARCOS: Primordialmente uma caneta e um caderno, depois calças resistentes, uma lanterna e um bom tênis de trilha, de resto: lenço umedecido. É a minha “veadagem”, todo mundo tem uma.

 

TPO – Como você chegou lá? 

MARCOS: Fui à Coreia do Norte a convite de uma marca. Saí de Floripa para Guarulhos, e de lá para Toronto. Cruzei o Canadá num voo para Vancouver e de lá  sobrevoei o Alasca e o Estreito de Bering, o deserto de gelo russo até pousar em Pequim. Da capital da China tomei um trem de 24 horas até a fronteira com a Coreia do Norte e, da fronteira, mais um trem pelo interior coreano até Pyongyang.

 

TPO – Mala de rodinha ou mochilão? 

MARCOS: MOCHILÃO! Tem que carregar o peso da vida nas costas. Se eu tivesse que usar uma mala de rodinhas, eu preferiria uma sacola de supermercado.

 

 

 

TÁ POR ONDE

TPO – O que não dá pra perder?

MARCOS: A Coreia do Norte, por circunstâncias óbvias, é um lugar muito louco e que a todo momento te oferece o desconhecido. Mas posso destacar o faraônico mausoléu onde estão exibidos os corpos dos dois líderes mortos. É o vaticano dos caras, é ridículo de grande. Já na China eu cito a Muralha da China, mas da forma que eu encarei, acampando sozinho numa sessão fechada para turistas. Essa façanha da qual me orgulho muito se transformou até em tatuagem na minha pele.

 

TPO – Onde e o que comer?

MARCOS:  Eu não tenho uma característica de dar dicas, não sou muito bom nisso. Eu mais vivencio e relato à minha maneira. O que posso dizer (não recomendar), é que provei sopa de carne de cachorro na Coreia. Foi uma experiência bizarra, mas sempre válida. Eu não posso julgar ninguém. Eu só imagino o que aquele povo passou pra chegar nesse extremo. A minha comida preferida é indiana (mas isso foi noutra viagem), eu inclusive aprendi a cozinhar com os indianos, então o que eu posso dizer é: na Índia, quanto mais suspeito o boteco, melhor.

 

TPO – Onde se hospedou? 

MARCOS:  Não se pode entrar de forma independente na Coreia do Norte. Então o pacote que te leva é todo operado por agência. Dentro do país você estará sempre escoltado por funcionários do governo. À noite é proibido sair do hotel, por lá você só fica sozinho no banheiro. Portanto, com tantas restrições, o hotel tem que oferecer tudo, ou quase. Na Coreia fiquei no Yanggakdo Hotel, talvez o melhor em que já estive na vida. Tem bares, restaurantes, karaokê, boliche, sauna, cabeleireiro, sala de jogos e uma porrada de coisas mais pra que você não queira empreender fuga pela cidade do Kim Jong-un.

 

TPO – Em qual época do ano você escolheu ir para esse destino?

MARCOS: Escolhi o mês de abril porque é a data que se celebra o principal feriado da Coreia do Norte. O clima é sempre cinza pela poluição, as cores da cidade são sempre iguais, então não me importei muito com isso. O que eu queria mesmo era ter a sorte de uma parada militar surpresa e confraternizar com os locais durante os festejos do feriado.

 

TÁ POR ONDE

 

TPO – Fatos engraçados:

MARCOS: Eu cheguei a convidar um chinês pra ir acampar na Muralha comigo. De início ele aceitou, mas quando ele viu o tamanho da montanha e as placas de acesso proibido ele me deixou sozinho e voltou pra Pequim. A parte mais engraçada é que ele não falava quase nada de inglês, mas depois de me dar tchau disse “I love you”. Achei estranho e depois agradeci pela desistência.

 

TPO – Cereja do Bolo:

MARCOS: Vai parecer repetitivo, mas o mais legal dessa viagem é que eu já tinha “zerado a vida” em dez dias de estrada. Em dez dias eu já tinha passado uma semana na puta que o pariu da Coreia do Norte, entre ameaças de guerra e amor entre eles e os EUA; e também tinha acampado ilegal na Grande Muralha da China. Quando eu viajo é muito intenso, como meu foco é a escrita, eu me condiciono a vivenciar e captar o máximo das sensações. Quando tô na estrada, tô em transe.

Simplesmente uma viagem memorável!!! Conseguimos sentir pelo menos um pouquinho dessa incrível experiência que Marcos teve a oportunidade de viver. E você, o que achou?

E se assim como nós, você ama o continente asiático e quer fazer uma trip única para lá, não deixe de conferir os nossos posts com dicas imperdíveis da Ásia.

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