A MINHA VOLTA AO MUNDO

26 maio, 2014

Enfim chegou o momento, a volta.

Evitei pensar no assunto na última semana, exercitando a filosofia Three Little Birds: “Don’t worry about a thing”. Me esforcei, mas não rolou, considerei parte do processo refletir.

Parei por alguns minutos e me perguntei: E aí como vai ser? E agora o que eu faço com tudo isso?

Atualmente sem casa, sem carro, sem namorado, sem emprego e sem dinheiro, mas MUITO mais rica. Clichê? Pode ser, porém a mais pura verdade.

A verdade é que mudei. E isso me assusta. Mudei os meus gostos, mudei a forma como enxergo o mundo, dei espaço para uma Ligia completamente desconhecida aparecer, e me apaixonei completamente por ela. Descobri um novo universo. Um leque de possibilidades se abriu na minha mente, no meu corpo e no meu espírito. Passei a dar ainda mais valor aos pequenos momentos, sentimentos e sensações ao invés de “coisas”. Me emocionei. Me permiti. Ri, chorei, tentei entender, aceitei e entreguei. Entendi que não é preciso muito, e que enquanto desejamos mais do que precisamos nunca seremos verdadeiramente livres. Cruzei fronteiras. Presenciei milagres. Não só admirando paisagens de tirar o fôlego mas observando o próximo, o diferente, o estranho. Olhando no fundo dos olhos. No meu dicionário palavras como respeito e sabedoria adquiriram novos significados. Descobri o que me fascina, o que me move, o que me inspira e como sou capaz de inspirar os outros. Atingi níveis profundos em contato comigo mesma. Deixei a minha zona de conforto e me joguei no mundo, me joguei no mar. Voltei para um estágio primitivo, em contato com o ambiente onde fui concebida como ser: a natureza. E hoje me sinto parte. Sou especial, única, verdadeira, forte, amiga, muito corajosa e linda. Admito isso. Me aproprio dessas características para a vida, e acumulo essas riquezas em um lugar intocável.

Quando acordo, mesmo no sofá da casa de um recente amigo que me acolheu como família, agradeço por mais um dia de vida, respiro fundo e sinto o oxigênio caminhando pelo meu corpo, me sinto cheia, satisfeita. Já na rua, dou bom dia para as pessoas olhando nos olhos e abro um sorriso sincero. O meu café preto, hoje sem açúcar, tem um gosto que nunca imaginei que pudesse ter, gosto de vida. Do despertar de mais um dia. Tenho prazer em viver, prazer em ajudar, prazer em uma conversa com um desconhecido, prazer em ver o céu escurecendo e a chuva caindo. Prazer em ver o sol nascer e se por no horizonte. Sou grata. Passei a enxergar a metade do copo cheio com muito mais freqüência, a apreciar o que tenho. Hoje, me importo com o que posso mudar, o que não posso simplesmente deixo ir.

Meu maior medo? Ser sugada novamente, entrar num turbilhão de conflitos que hoje em dia não fazem mais sentido, voltar a neurotizar a vida, enxergar mais problemas do que soluções, esquecer o que vi e vivi, deixar que a paz que reina na minha mente nesse exato momento me abandone, substituir o amor que adquiri pelos outros, pela vida e principalmente por mim mesma por imagem, por ilusões.

Vai ser difícil? Vai. Vou precisar mudar meu entorno, minhas atividades, meu estilo de vida? Vou. Mas todos os dias peço a Deus que ilumine meu caminho, que amenize o impacto desse processo de readaptação e que me conceda sabedoria para lidar com a realidade de forma natural, equilibrada, espontânea e principalmente com muita doçura e mansidão.

Se acho que vou mudar o mundo? Por alguns momentos eu achei que sim. Me senti tão energizada, forte e capaz que imaginei realmente ser possível. Ousadia da minha parte? Talvez. Se conseguir interiorizar essa atitude positiva e compartilhar pelo menos um pouco dessa experiência e novas descobertas com o grupo de pessoas ao meu redor, ou com quem ler esse texto, já estou mais do que satisfeita. Missão cumprida.

Um recado? Meu amigo/a, a vida é muito linda e curta. Não dá mais pra perder tempo, é agora, ela está aí de braços abertos para receber qualquer um que tenha sede dela, que se sinta incomodado, que questione diariamente a sua existência, e assim como eu pense: “não é possível que seja só isso”.

Somos nós os verdadeiros testemunhos, não adianta nada usar palavras sofisticadas, sair pregando por aí e não dar bom dia para o porteiro, não ajudar o necessitado bem ali do lado. Nossas escolhas, nossas atitudes e principalmente nossos pensamentos definem quem somos, e esse conjunto de elementos tem a capacidade de influenciar os outros. O mundo está carente de amor, de gente que fala o que sente, de verdades. De gente que é livre, de gente que pensa livre, que anda de pé descalço. De relações humanas, de toque, de conversa de buteco, de abraço sincero, de olhar de compaixão e de positividade. Comece a se dar sem medida e você verá a sua vida se transformar, passará a pensar diferente, a escutar outras frases saindo da sua boca, é engraçado, chega uma hora que você não se reconhece mais, você se transforma no que pensa. Exercite. Faz um bem danado.

E eu? Ah! Eu cansei de ser coadjuvante, assumi as rédias da minha vida e não aceito nada menos do que o papel principal. Sejamos nós a geração de protagonistas do bem, a geração de heróis, ou ao menos pessoas relativamente boas.

For me it begins at the end of the road. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

Família, to chegando! Aloha <3

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